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sábado, 24 de março de 2012


Meu nome é PCB
De Gilson Silva - 08/03/2002


Meu nome é PCB
Mas me chamam partidão
Hora sou ele, hora você,
Nunca aquele burguês ladrão.

Sempre sigo o mesmo rumo
Que vai de encontro ao povão
Com falsos políticos, não me iludo.
Jamais mudo de opinião.

Sou daquele que dar um boi
Para não entrar em confusão
Mas depois de dentro, perdoei!
Dou a boiada com satisfação.

Já fui contra Getúlio,
Médici, Figueiredo e Collor.
Defendi o petróleo com orgulho
E às Diretas carreguei no colo.

Sempre fui, sou e serei,
Contra qualquer ditador
Seja militar, presidente ou rei.
Contra tirania sou um lutador.

Diz a burguesia infame
Que o grande Fidel é um.
Como posso deixar que o enlame
Se conheço o seu valor?
Não deixarei que lhe difame.
Claro, de jeito nenhum.

Quem entregou a vida
Para salvar da tirania de Batista
Merece respeito, é sua sina.
Nunca fugiu da labuta
E por Cuba e América Latina
Jamais se esquivou da luta.
  
Já me acusaram de tudo.
De baderneiro, agitador,
Reformista, foguista,
Coiteiro de bandido amador,
Até, pasmem! Ditador.

Nasci em vinte dois
Na Semana de Arte Moderna
Onde o Brasil se opôs
A cruzar os braços à nova era
E lutei ferozmente, atroz.
Contra o colonialismo fera.

Já vivi na clandestinidade,
Mas jamais saí do páreo.
Na corrida contra governo rude.
Hoje octogenário,
Não perdi a fé na juventude.

Nela deposito a esperança
De profundo afeto
Quero que encham a pança
De pão, letra e teto.

Com os meus oitenta e poucos anos
Já vi coisas tantas, que arrepia.
Lama em castelo, ouro em favela,
Bela na cela, fera na alforria,
Gente tombada, agente da Cia,
Bala perdida no meio dia.

Se eu sou velho para uns,
Para muitos nem queiram saber.
Para o escravismo estou ano-luz
E para o capitalismo sou um beber.

Ensinei grandes lideres
De Gregório a Prestes,
De Nequete a Olga Benário.
Todos aprenderam a lição
Do socialismo lendário
Contra o capitalismo cão.
  
Eu sei todo abecedário
Das artimanhas da burguesia.
Não sou nenhum analfabeto,
Nem tão pouco um otário.
Sei bem da agonia
De quem não tem salário.

Sem ter a quem recorrer
Vive entregue a sorte,
Perambulando pelas pontes,
Sem ter o que comer,
Sem novos horizontes,
Por culpa desse regime zabelê.

Como um bom professor
Vou lhes dizer a saída:
Faça fileira com amor
A causa socialista,
Se prepare com árduo,
Seja um comunista.

A foice significa o camponês,
O martelo o operário.
É essa união com lucidez
Que vai mudar o cenário
Do nosso país burguês.

Respeito o centralismo
Nada decido sozinho.
Sou marxista-leninista,
Internacionalista com carinho
E brasileiro sem sofismo.

Tive bons advogados
Entre tantos, Paulo Cavalcanti.
Eita pernambucano arretado!
Defendeu com tanta vontade,
Tantos companheiros exilados
Que levaram o corpo pra longe
E o coração ficou aqui entranhado.

Se tem alguém com fome
Logo sinto a barriga roncar,
Se avisto família em marquise,
Junto-me a ela e vou lutar.

Eu sou assim, não sou outro.
Defendo os oprimidos
E não minto quanto digo:
Todo o poder ao povo.

Não sou contra religião
Mesmo sendo ateu convicto
Tenho muitos amigos cristãos,
Mas aquele que pisa na bola,
Aumenta o dízimo, explora.
Este sim é um cão,
Merece no mínimo a prisão.

Dizem as más línguas
Que há muito tempo morri.
Como posso tá morto com vida?
Se estivesse, ninguém estaria aqui.
Correriam todos pra longe de mim.
As “almas” é que querem meu fim.

Minha pele é brasileira
Minha voz e meu jeito
E também a minha atiradeira.
Como me dói o peito
Quando foges na carreira
E vais morar no estrangeiro.

O teu lugar é no Brasil
Lutando junto com povo
Como eu e tantos outros
Que ama essa terra varonil. 

Já que somos amigos
E temos uma boa voz
Gritemos: Viva o socialismo,
Abaixo o capitalismo atroz!



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